A história do Alice Monte Líbano começa muito antes do restaurante existir. Em dezembro de 2020, São Paulo se despediu de uma das suas cozinheiras mais importantes, e poucos fora do círculo da gastronomia árabe sabiam o nome dela. Dona Alice Maatouk, fundadora do Monte Líbano, morreu aos 86 anos, poucas semanas depois de ver o próprio restaurante ser eleito o melhor da culinária árabe da cidade. Esta é a história de como uma costureira de Zgharta virou referência de uma culinária inteira, e de como esse legado chegou até hoje, na Vila Olímpia, como Alice Monte Líbano.


História do Alice Monte Líbano: Zgharta, a promessa e a travessia
Alice e Halim Maatouk namoravam em Zgharta, no norte do Líbano. Ela era costureira, ele alfaiate. Em 1956, com mais um conflito armado atravessando o país, Halim decidiu tentar a vida no Brasil, e fez uma promessa: se desse certo, mandaria buscá-la para se casarem. Quatro meses depois, a passagem chegou. Alice trocou de pátria e de profissão por esse amor.
Em São Paulo, o começo foi duro, inclusive pela língua desconhecida. O casal passou os primeiros anos transformando aviamentos e tecidos em roupas. Foi quase por acaso que a cozinha entrou na história: eles começaram a cozinhar em casa, e os amigos que experimentavam os pratos não deixavam Alice e Halim em paz.


1973: o Monte Líbano nasce na 25 de Março
A oportunidade de ter o próprio negócio surgiu em 1973: o casal comprou um restaurante que já existia e montou o Monte Líbano numa sobreloja de um prédio comercial na região da Rua 25 de Março. Halim partiu cedo, em 1986, e desde então Dona Alice assumiu o comando sozinha, todos os dias, sem exceção, inclusive nos próprios aniversários.
Por quase cinco décadas, foi ela quem bateu ponto preparando o trio de pastas, homus sedoso, babaganoush defumado e coalhada seca, o tabule com acidez certeira e as miniesfirras folhadas que marcaram gerações de clientes. Para não perder o contato com a culinária árabe genuína, viajava com frequência de volta a Zgharta.
2020: o ano em que São Paulo disse que era a melhor
Em 2020, o Monte Líbano foi eleito o melhor restaurante árabe de São Paulo pelo Comer & Beber da Veja SP. Dona Alice já estava doente, um câncer agressivo no pâncreas, diagnosticado em março daquele ano, mas pediu à filha Regina que lhe passasse um batom para assistir à cerimônia, transmitida pela internet em 19 de novembro.
| 💬 Regina Maatouk, em depoimento à Veja SP logo após a cerimônia: “Essa homenagem e premiação veio em um momento muito difícil e triste que nos alegrou e mais ainda deixou minha mãe extremamente feliz! Ela está muito doente! Foi uma homenagem linda que vou guardar pra sempre!” |
Dona Alice morreu poucas semanas depois, em 3 de dezembro de 2020, aos 86 anos. Deixou os filhos Regina e Marcílio Halim, e os netos Mariana, Daniel e Guilherme.


A pausa necessária e a Vila Olímpia como novo capítulo
Depois da partida de Dona Alice, o restaurante da 25 de Março seguiu funcionando por mais um tempo, mas em 2022 virou só delivery. A chama, no entanto, não apagou: Regina Maatouk reabriu o negócio na Vila Olímpia, com o nome Alice Monte Líbano, ao lado do sócio Nelson Rabello Filho, e com as mesmas receitas, do mesmo jeito que a mãe ensinou.
A novidade foi unir essa tradição a tecnologia de cozinha, como a cocção controlada que hoje faz do Alice Monte Líbano um case de referência da RATIONAL, fabricante alemã de equipamentos profissionais, prova de que é possível manter o sabor de sempre sem abrir mão de processos modernos de segurança alimentar.
| 💬 grazuandrade, Facebook: “Dona Alice era um poço de doçura. Transbordava amor no olhar, na arte de cozinhar e no cuidado com o restaurante. Regina é a continuação desse legado, é a alma do restaurante.” Resposta de Regina Maatouk: “…ela realmente sorria com os olhos e sinto que está sempre ao meu lado, zelando por mim e pelo legado que me deixou.” |
O que fica
Dona Alice nunca vestiu dolmã, nunca fez alarde nas redes sociais. Numa época de culto a chefs, ela provou, dia após dia, numa sobreloja da 25 de Março, que o que é bom pode ser repetido com consistência e que às vezes menos é mais. Hoje, na Vila Olímpia, é esse mesmo princípio que guia cada prato que sai da cozinha do Alice Monte Líbano.
Quer conhecer a cobertura completa que a imprensa já fez sobre essa história? Veja nossa página Na Mídia. E se quiser provar pessoalmente o que Dona Alice deixou de legado, venha conhecer o salão do restaurante, na Vila Olímpia.